Quem acompanha a história do Brasil sabe que o Grupo Globo jamais foi mero espectador do jogo político. Cresceu à sombra do poder e, nos momentos decisivos, ficou ao lado de quem defendia a ordem contra o povo.
Em 1964, o jornal O Globo celebrou o golpe militar. Durante os 21 anos de ditadura, a emissora prosperou com concessões, financiamento e alinhamento ao regime, enquanto sindicalistas eram perseguidos, presos e torturados. O próprio grupo só admitiu, em 2013, que apoiar o golpe foi um erro. O reconhecimento veio quase meio século depois, quando já não custava nada.
O padrão se repetiu na redemocratização. Em 1984, a Globo tratou o comício das Diretas Já em São Paulo como festa de aniversário da cidade. Em 1989, o Jornal Nacional editou o debate final entre Lula e Collor de forma favorável ao segundo. A cada vez que a classe trabalhadora ameaçou ocupar o centro da política, a emissora escolheu o lado da elite.
Esse histórico pesa quando se olha para o episódio desta quinta-feira (1º). A Globo cancelou o debate presidencial previsto para a noite, alegando insegurança jurídica após receber duas intimações judiciais. O cancelamento ocorreu a três dias do primeiro turno, menos de uma hora antes do horário previsto, depois das desistências de Lula e de Flávio Bolsonaro.
Uma emissora concessionária de serviço público, que detém enorme poder sobre a formação da opinião nacional, não pode tratar o debate eleitoral como atração de grade que se encerra quando o cenário fica desfavorável.
Para nós, do SINDCONIR, não há democracia plena sem democratização da comunicação. Enquanto poucas famílias controlarem o que o Brasil vê e ouve, a voz do trabalhador seguirá disputando espaço com quem sempre lucrou com o seu silêncio.
Organizados somos mais fortes!
